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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Boavista: Uma camisola a pensar no regresso à 1ª Liga

As equipas estão perfiladas no túnel de acesso ao relvado. Os jogadores dão os primeiros passos em direção ao terreno de jogo e no estádio começa a ouvir-se «Boavista, Boavista, é do Porto muito amado, tem distintivo bairrista, preto e branco, axadrezado».
O hino escrito por Manuel de Almeida ecoa por todo o Estádio do Bessa. Os muitos adeptos que costumam ser presença assídua nos jogos ajudam ao ambiente próprio que se vive sempre no recinto boavisteiro, cantando também eles a música do clube do seu coração.
No relvado, os jogadores do Boavista ostentam uma camisola nova, como sempre em tons de xadrez, mas lembrando os períodos dourados do passado e lançando um futuro que há muito é desejado nos axadrezados: o regresso à primeira Liga. Os adversários ainda são do Campeonato Nacional de Seniores mas em breve, ao que tudo indica, serão do mais alto escalão do futebol português.
Frechaut, Carraça, Ricardo Silva e Fary com o criador da nova camisola do Boavista, Tiago Couto ©Catarina Morais
Na gola do novo equipamento lê-se «Pantera mostra a tua garra», no peito, gravado em tons de dourado, vê-se o número 110 relativo aos anos de existência e numa das mangas, desenhados também em dourado, estão os principais troféus que o Boavista conquistou ao longo da sua história: uma Liga portuguesa, cinco Taças de Portugal e três Supertaças Cândido de Oliveira.

Jogadores como FrechautRicardo Silva eFary, experientes no futebol português e com uma enorme ligação afetiva ao Boavista, são alguns dos futebolistas que vestem orgulhosamente a nova camisola. A estes juntam-se jovens que fazem parte da equipa e que querem devolver o clube ao patamar a que se habituaram a ver durante a infância.

Fary: «Vou acabar a carreira como sempre disse: com o Boavista na primeira divisão»

Fary está a cumprir a oitava temporada ao serviço do Boavista, uma ligação que começou em 2003 e que apenas foi interrompida entre 2008 e 2011. Atualmente é o capitão de uma equipa que considera uma família e admite ser a voz do treinador dentro do campo.
No Bessa, o avançado de 38 anos já pensa no final da carreira mas o término do percurso como jogador irá acontecer com o cumprimento de uma promessa que fez quando regressou ao Boavista em 2011.
Fary quer ajudar o Boavista na primeira divisão ©Catarina Morais
«Quando voltei quase ninguém acreditava que o Boavista ia continuar. Toda a gente dizia que ia acabar, mas eu sempre disse, e as pessoas podem confirmar, que ia acabar a carreira no Boavista e na primeira divisão. Espero poder ajudar no próximo ano. Não é que vá ser uma peça chave dentro do campo, mas espero estar aqui para ajudar o treinador e os boavisteiros porque vai ser uma fase nova pela qual o clube vai passar», afirmou Fary, em entrevista aozerozero.pt.
«Gostava de continuar no próximo ano, ajudar estes miúdos e cumprir o que prometi quando cá voltei: jogar com o Boavista na primeira divisão», acrescentou, mostrando-se orgulhoso por ter a responsabilidade de ser o capitão de equipa.
«É um grande orgulho ser o capitão. Para ter um treinador que é mais novo do que eu é porque o clube tem confiança em mim. É muito bom poder jogar com estes miúdos, sendo que tenho idade para ser pai da maioria. Juntos formamos uma grande equipa», continuou, feliz pelo respeito que goza entre o universo axadrezado.
«Sempre senti o Boavista. Desde a minha contratação em 2003 que sempre fui amado pelas pessoas. Mesmo quando saí sempre soube o que se passava aqui e por isso é como se nunca tivesse saído do clube. Sempre tentei ajudar o Boavista porque este emblema e estas pessoas merecem. A mim dão-me tudo e eu tento retribuir da mesma forma, quer dentro, quer fora do campo», disse, traçando uma comparação entre o primeiro Boavista que representou, ainda na primeira divisão, e o atual, que milita nos escalões não profissionais.
«Antigamente éramos profissionais. Vínhamos aqui para jogar, ganhar e ir embora. Hoje somos uma família, talvez como o Boavista era antes de ser campeão. Recuperámos esses hábitos. Esta fase foi e ainda é dura mas também trouxe coisas boas, uma delas é que o Boavista é hoje em dia uma família».

Frechaut: «É com carinho que recordo o período em que fomos campeões»

À exceção do treinador Petit, Frechaut é o único elemento que faz parte do plantel do Boavista que se sagrou campeão nacional ao serviço do clube portuense.
Frechaut sabe o que é ser campeão nacional pelo Boavista ©Catarina Morais
Contratado em 2000 ao Vitória de Setúbal, o ex-internacional português foi utilizado por Jaime Pacheco em 21 jogos, tendo marcado dois golos na temporada do título. Mais de uma década depois, Frechaut recorda com saudade a primeira passagem pelo Bessa.
«É com muito carinho que recordo o período em que fomos campeões nacionais. Foi uma altura na qual demos tudo pelo Boavista e é esse tipo de valores que eu, assim como os jogadores mais experientes, tento transmitir aos mais jovens que estão cá», disse, ao zerozero.pt, o defesa de 36 anos.
«Para nós significa muito vestir esta camisola. O Boavista é um clube com muita história, que tem muitas coisas ganhas e cada vez que vestimos a camisola sentimos a responsabilidade e o peso que um clube com esta história tem», continuou, mostrando-se satisfeito com os pormenores desenhados na camisola que os jogadores utilizam esta época.
«O Boavista está a passar mais uma etapa do seu crescimento. Para o ano espero que seja recompensado com a merecida subida à primeira Liga e com estas camisolas, para já, podemos lembrar um pouco daquilo que era o Boavista no passado e que queremos que volte a ser no futuro».

Ricardo Silva: «Espero acabar a carreira no Boavista»

Ricardo Silva regressou ao Boavista a convite de Petit ©Catarina Morais
Formado no Boavista e capitão nos vários escalões jovens antes de subir a sénior, Ricardo Silva deixou diretamente a primeira divisão para representar o Boavista no Campeonato Nacional de Seniores. Agora, a expectativa é fazer o percurso inverso ao serviço dos axadrezados.
«O regresso ao Boavista está a ser bom. Não tinha a ideia de regressar, o convite foi feito pelo meu amigo Petit, com quem cresci neste clube desde pequeno. Mas estou cá com muito gosto e espero acabar a carreira no clube no qual comecei para o futebol», disse o defesa-central, em entrevista aozerozero.pt.
«Não sei se será na primeira divisão. Para já apenas penso no imediato e isso passa por ajudar o Boavista a ganhar sempre e mostrar aos mais novos o que é verdadeiramente o Boavista e prepará-los para o futuro. A responsabilidade neste clube é sempre enorme, apesar de estar a passar uma fase mais complicada da sua existência. O Boavista é um clube grande, um clube centenário com vários títulos e estamos todos com o espírito de levá-lo àquilo que era antes, um clube vencedor».

Carraça: «É um peso enorme vestir esta camisola»

Carraça é o rosto mais visível da formação do Boavista na equipa principal. A cumprir a segunda temporada sob o comando de Petit, o médio de 20 anos é titular nos atuais líderes da Série C do Campeonato Nacional de Seniores(cinco vitórias em cinco jogos) e aguarda com expectativa a possibilidade de jogar no principal escalão.
Carraça é prata da casa e sonha representar os axadrezados na primeira Liga ©Catarina Morais
«É com muita expectativa e com muito trabalho que aguardo a possibilidade de poder jogar pelo Boavista na primeira divisão. Tem sido um privilégio representar este clube. Vim da formação, este é o segundo ano como sénior e o meu sonho é poder representar o Boavista na primeira Liga com estes jogadores e com esta equipa técnica porque me têm ajudado muito», disse, ao zerozero.pt.
«É um peso enorme vestir esta camisola. O historial do clube é muito grande e este ano o equipamento lembra-nos de todas as conquistas passadas e de todos os grandes jogadores que também já vestiram a camisola do Boavista», acrescentou, garantindo que se lembra do ano em que o clube do Bessa se sagrou campeão nacional. Tinha ele oito anos.
«Lembro-me perfeitamente do Boavista campeão. Recordo-me que eles tinham uma forma de jogar muito própria, com muita raça. Vi o jogo do título pela televisão e lembro-me da grande festa que foi».

Como nasceu a ideia da nova camisola

Tiago Couto é o responsável pela camisola do Boavista. Uma camisola a recordar o passado mas a pensar no futuro ©Catarina Morais
Para a temporada 2013/2014, o Boavista decidiu lançar um desafio que foi promovido nas redes sociais e que consistiu em designers desenharem a camisola da equipa axadrezada. A marca que veste o clube do Bessa, a Peba, também viu a iniciativa com bons olhos e Tiago Couto foi o vencedor.
O jovem designer, em entrevista ao zerozero.pt, contou o caminho percorrido até chegar ao resultado final que foi do agrado dos jogadores.
«Pesquisei o equipamento de várias equipas, mas especialmente os do Boavista. Dei mais ênfase ao equipamento do ano do título e quis trabalhar por aí. Usei os dourados para conotar os tempos do Boavistão, os tempos dourados do clube. Usei também uma frase na gola como incentivo para os jogadores e os títulos conquistados na manga para perceberem a história, mas também para quererem fazer mais pelo clube», explicou Tiago Couto.
«Acredito que o facto de esta camisola ter gravados os títulos já conquistados pode fazer com que os jogadores queiram também fazer história pelo Boavista», acrescentou, expressando, tal como os futebolistas, o desejo de ver os axadrezados no principal escalão do futebol português.
«O Boavista é a quarta equipa com mais títulos a nível nacional e por isso sabia que a visibilidade desta camisola ia ser grande. Ainda assim, não é a visibilidade que deveria ter porque este não é o campeonato para um clube como este, sem querer menosprezar as outras equipas. O Boavista é uma equipa de primeira».

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